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A nação está escandalizada

Em um País em que a corrupção e a desigualdade se deram as mãos para aprofundar o abismo social e a miséria, a população assiste, estarrecida, às declarações do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de que chegou a ir armado a uma sessão do Supremo Tribunal Federal com o objetivo de matar o ministro Gilmar Mendes e em seguida se suicidar. Um chefiou o Ministério Público Federal e o outro o STF. Ambos protagonizaram insultos recíprocos à exaustão, publicamente. Não bastaram as brigas rasteiras em plena sessão da Suprema Corte, transmitidas ao vivo. Não foram suficientes as expressões chulas de altas autoridades e as decisões odiosas, gerando repúdio dos cidadãos em escala planetária. Ainda tinham que vilipendiar mais. Precisavam tirar as esperanças do povo brasileiro, que agora tem a nítida certeza de que falta, no mínimo, serenidade àqueles que debatem e julgam os temas mais caros à dignidade humana, à Democracia e ao Estado de Direito no Brasil. Janot vai lançar na semana que vem o livro “Nada Menos que tudo”, revelando fatos nada republicanos que se passaram nas altas esferas dos poderes da República. Já se sabe que será um tremendo sucesso editorial. É mesmo o triste retrato do Brasil. Como é que o cidadão comum vai acreditar na Justiça e no devido processo legal se os que vão cuidar do processo preferem resolver as controvérsias de armas na mão?!
A serenidade como equilíbrio, afabilidade, humildade, modéstia e tolerância é necessariamente vinculada à não-violência. Norberto Bobbio, em seu “Elogio da serenidade e outros escritos morais”, aborda um grande conjunto de questões sensíveis ao estudo da Ética e do Direito. Para o grande cientista político, a serenidade opõe-se à insolência, que é a ostentação da arrogância. O prepotente exerce sua força esmagando os outros e utilizando abusos e excessos. O sereno é aquele que deixa o outro ser a seu modo. Não estabelece contato com o propósito de entrar em conflito, pois é num mundo sem esse tipo de história que gostaria de viver. O sereno rejeita a destrutividade do confronto por aversão ou por perceber a inutilidade dos fins que resultariam disso. Bobbio diz que é melhor uma liberdade em perigo, mas expansiva, do que uma liberdade protegida, mas incapaz de evoluir. Nesse sentido, a tolerância é um método que implica na persuasão daqueles que pensam diferentemente de nós. Não é um método de imposição. Por isso, excluir certas ideias consideradas criticáveis pode ser perigoso, por abrir espaço à limitação da liberdade de expressão, seja qual for a postura moral ou política que alguém possa ter. Impor homogeneidade sempre leva ao autoritarismo.
Sêneca, filósofo, dramaturgo e político, foi mestre na arte de escrever textos filosóficos. Em “Da tranquilidade da alma, Da vida retirada e Da felicidade”, três tratados morais, traz um diálogo entre o autor e seu discípulo Sereno, que lhe pede conselhos para aplacar a angústia interior e chegar a um estado de alma sossegada. Sereno quer saber como manter-se calmo diante das desgraças, baixezas e injustiças que testemunha todos os dias. Sêneca, também autor de “Aprendendo a viver” e “Sobre a brevidade da vida”, refletiu sobre as mais profundas contradições da condição humana.

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