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Comando Vermelho corta a cabeça dos inimigos em presídio, diz relatório de major

Um relatório do major da Polícia Militar, Kleber Gomes de Sousa, diretor do Centro de Recuperação Regional de Redenção, no sudeste do Pará, detalha uma rebelião naquela cadeia, comandada pela facção criminosa Comando Vermelho, em que cinco agentes prisionais foram feitos reféns e três presos foram massacrados e tiveram as cabeças cortadas do corpo. O Ver-o-Fato teve acesso ao relatório.

De acordo com o relatório, os detentos gravaram toda a rebelião e publicaram nas redes sociais e ainda usaram o sangue das vítimas para escrever a sigla CV nas paredes da cadeia. A rebelião ocorreu no dia 12 de maio de 2019, um domingo, dia de visita familiar, por volta das 8h10 da manhã.

Segundo o relatório, os agentes prisionais Eurípedes Rodrigues Santana, Weslayno Dionattas Machado da Silva e Willian dos Reis Santos entraram no interior do bloco carcerário, a fim de realizar a abertura das celas do bloco B e promover a entrada de familiares dos presos.

Após a abertura das celas, os agentes se dirigiram para o portão 5 para sair do bloco carcerário. No momento em que o outro agente prisional, Manoel Gomes Barros, ia abrir o portão para a saída dos colegas, os presos agarraram todos os quatro e empurraram o portão, mantendo os agentes como reféns e conduzindo todos para o portão 2. Outro agente, Ualace Pereira Martins, também foi feito refém.

Logo em seguida, os detentos iniciaram a quebra dos cadeados de seus desafetos Marcos Aurélio Filesk, da cela 14; Rai de Sousa Viegas, da cela B12 e Cícero Gomes Feitosa, da cela A9, os quais foram mortos, tiveram os órgãos internos retirados e foram decapitados.

As ações dos bandidos do Comando Vermelho provocaram um motim que envolveu todos os presos do regime fechado. O diretor do Centro de Recuperação de Redenção soube da rebelião por volta das 08h15, acionando o comandante do 7º Batalhão da Policia Militar, a fim de que fosse enviado uma equipe de Policiais Militares para garantida a segurança no local.

No momento das ações por parte dos presos, dois dos reféns permaneceram no bloco carcerário, enquanto os outros três ficaram como escudo humano, no portão 02, passando os presos a fazerem várias exigências para que fosse cessada o motim e houvesse a liberação dos reféns.

Os presos exigiram a presença do juiz de Redenção, bem como do Ministério Público e de representante da OAB para negociarem o fim da rebelião e a liberação dos reféns. O juiz Francisco Gilson Duarte Kumamoto Segundo, da Vara Criminal local; os promotores de justiça Leonardo Jorge Lima Caldas e André Cavalcanti de Oliveira, e o advogado Marcelo Teodoro, da OAB, entraram no CRRR e negociaram com os presos.

O primeiro refém a ser liberado foi Manoel Barros, por volta das 12h10. Por último, os internos exigiram que o juiz, os promotores e o representante da OAB acompanhassem o recolhimento dos revoltosos de cima da área de banho de sol, e que os responsáveis pela realização da tranca seriam os próprios reféns.

Rivais PCC e CV e retaliação

Por volta das 13h15 as autoridades consideraram encerrado o motim, com a entrega de parte das armas de fabricação artesanal, estoques e facas e o retorno dos presos para as celas.

Em seguida, começou a reparação dos danos causados, contagem de presos, identificação de mortos, feridos e revista no interior das celas. O Corpo de Bombeiros Militar realizou o trabalho de apagar o fogo dos colchões que haviam sido utilizados para incendiar os corpos de dois dos internos mortos.

Segundo informações dos próprios detentos, durante o motim o preso Marcos Filesk foi massacrado em virtude de ter suposto vínculo com a organização criminosa PCC, rival do CV. Filesk havia sido recambiado do Estado da Bahia para o Centro de Recuperação Regional de Redenção, acusado do crime de homicídio, e que participaria de audiência no dia 13 de maio de 2019, e iria a Júri no dia seguinte, motivo pelo qual estava em uma cela isolada do bloco carcerário (cela 14).

Já o preso Cícero Feitosa, acusado de diversos crimes sexuais, foi morto em virtude de que, durante seu julgamento, relatou não se arrepender dos crimes que a ele foram imputados, tendo cometido vários estupros nas cidades da região sudeste paraense.

O interno Rai Viegas foi morto como “brinde” – como os presos costumam chamar – e que seria acusado da morte do irmão de uma liderança da organização criminosa CV.

Os agentes penitenciários receberam atendimento biopsicossocial da assistente social, do psicólogo e do médico da unidade, bem como receberam apoio religioso da Pastoral Carcerária da Igreja Católica e Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Os internos envolvidos foram identificados e encaminhados à autoridade policial para os procedimentos. A direção também solicitou as transferências dos internos envolvidos, mulheres e internos (“brindes”), conforme disponibilidade de vagas.

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